Eu acho que qualquer pessoa pode se identificar com Friends, seja com algum dos personagens ou com alguma situação. Eu comecei a ver Friends há muito tempo e virei fã desde o começo; mas só hoje, aos 26 anos, eu começo a me reconhecer muito mais naqueles episódios. Principalmente na primeira temporada.
No episódio 4 da primeira temporada, Aquele com George Stephanopoulos, Rachel recebe seu primeiro salário como garçonete e fica inconformada ao ver como aquele mês trabalhado valeu pouco. Ela, Monica e Phoebe resolvem fazer uma festinha de meninas e passam a noite de pijamas, comendo, bebendo e jogando.
Mas conforme a noite passa, Rachel começa a pensar na vida que está levando. Ela largou seu noivo no altar, deixando com ele a possibilidade de levar uma vida muito tranquila (= ser uma madame que não precisa trabalhar), e virou garçonete. As outras meninas percebem, então, que também não conquistaram nada ainda. Elas não tem o emprego e nem o salário que gostariam - e, pior ainda, talvez nem saibam ao certo o que gostariam de conquistar.
Alguns episódios depois, é o Chandler quem passa por uma crise de identidade. Ele recebe uma excelente proposta na empresa onde trabalha e não sabe se deve ou não aceitar; afinal, ele não sabe sequer se gosta daquilo que faz.
Talvez seja essa a grande questão de todos aqueles que estão na casa dos 20 anos, rumando para os 30. Pouco antes disso, em geral nós estamos terminando a faculdade e procurando desesperadamente um emprego dentro das profissões escolhidas. Mas depois de um tempo, nesse exato instante em que se passam os episódios (e, coincidentemente, no exato instante que eu estou vivendo hoje), nós não sabemos se gostamos muito daquilo que queríamos tanto conseguir. A ânsia de ter emprego para ganhar dinheiro e começar a caminhar sozinhos faz com que agarremos a primeira oportunidade que aparece. Inevitavelmente, um dia iremos questionar se essa oportunidade é mesmo aquilo que queríamos.
Será que nós fizemos a faculdade certa? Será que esse emprego é o máximo que conseguiremos? Será que devemos fazer pós? Será que devemos fazer intercâmbio? Mudar de casa? Sair da cidade? Estudar outra língua? Será que vamos conseguir chegar lá? Onde é lá?
Essa fase é tão confusa e nebulosa. Em alguns dias acordamos dispostos, felizes por termos encontrado o rumo certo, gratos por estarmos caminhando, satisfeitos com as nossas conquistas e com a nossa competência por sermos jovens e já estarmos em algum lugar. Mas na semana seguinte, o som do despertador dá vontade de chorar e o cobertor parece ser o lugar mais seguro do mundo.
É a fase dos relacionamentos mais sérios. Das decisões mais difíceis. Das primeiras conquistas. De rompimentos dolorosos. Das boas viagens. Do primeiro carro. Da primeira casa. É a fase em que queremos ficar tomando sundae no Mc Donald's, mas que compramos uma casquinha porque é o que dá para fazer no fim do mês.
Rumar para os 30 anos é assumir as rédeas e arcar com as consequências. Às vezes dói, mas às vezes é incrível.
No episódio que eu descrevi, a Rachel analisa a sua própria condição de uma forma muito realista. Ao final, ela olha ao redor e vê os seus amigos jogando Twister. Todos eles estão no mesmo barco. Alguns ganham mais, outros menos, alguns tem mais certezas, outros ainda tem muitas dúvidas. Mas apesar de tudo, eles estão juntos para o quer der e vier.
Porque os amigos que atravessam a juventude e entram com a gente na idade adulta costumam ficar por perto para sempre. E esse é um grande presente. Meio adulto, meio incerto, meio medroso, a gente não está sozinho. Então, está tudo bem.
(Eu bem que tentei colocar aqui o vídeo de onde saiu o título do texto, mas não consegui. Para assistir - e entender - clique aqui.)
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9 de agosto de 2010
14 de maio de 2010
Amigo. Todo mundo tem.
Por mais chato que você seja.
Por mais irritante.
Por mais pentenho e desaforado.
Por mais sincero ou travado.
Feio, bonito, simpático, ou não.
Sempre na vida terá alguém que gosta de você. A verdade é que ninguém nunca está sozinho. A gente não é sozinho. E a gente não precisa dizer que ama o tempo todo. Amigo fica perto, ou fica longe. A gente não deixa de gostar porque está longe. Ainda que ele não dê a mínima pros seus problemas, no meu conceito, não quer dizer que ele não gosta de você. Porque é tão verdade que cada um se preocupa unicamente com o próprio umbigo, quanto que por mais chato que alguém seja, essa pessoa sempre terá um amigo.
E a gente fica admirado. Porque fulaninho é tão blerrrrgh e ainda sim, tem os seus. Sua família pode ser seu amigo. Seu amigo pode ser sua família. Pode ser só colega. Pode perder a paciência de vez em quando. A gente pode achar a pessoal insuportavelmente chata em alguns momentos. Você não deixa de ser amigo dela por isso. Ainda que ela seja insuportavelmente chata todo o tempo.
Amigo não tem que ser irmão. Não tenho muita experiência, mas acho que irmão acaba virando amigo. Amigo só precisa ser cativado e cativar uma vez. E é permitido encher-se dos amigos. Seu chefe pode ser uma pessoa amiga. Pode nascer uma amizade de onde você menos imaginava. Amigo entende. Ou não. Amigo aceita. Ou não.
Que você seja chato.
Gordo demais ou magro demais.
Suas crises.
Que você seja a pessoa mais feliz, completa e realizada do mundo.
Que você seja você.
E lembre-se, por mais qualquer coisa que uma pessoa seja, sempre terá alguém que goste dela.
Por mais irritante.
Por mais pentenho e desaforado.
Por mais sincero ou travado.
Feio, bonito, simpático, ou não.
Sempre na vida terá alguém que gosta de você. A verdade é que ninguém nunca está sozinho. A gente não é sozinho. E a gente não precisa dizer que ama o tempo todo. Amigo fica perto, ou fica longe. A gente não deixa de gostar porque está longe. Ainda que ele não dê a mínima pros seus problemas, no meu conceito, não quer dizer que ele não gosta de você. Porque é tão verdade que cada um se preocupa unicamente com o próprio umbigo, quanto que por mais chato que alguém seja, essa pessoa sempre terá um amigo.
E a gente fica admirado. Porque fulaninho é tão blerrrrgh e ainda sim, tem os seus. Sua família pode ser seu amigo. Seu amigo pode ser sua família. Pode ser só colega. Pode perder a paciência de vez em quando. A gente pode achar a pessoal insuportavelmente chata em alguns momentos. Você não deixa de ser amigo dela por isso. Ainda que ela seja insuportavelmente chata todo o tempo.
Amigo não tem que ser irmão. Não tenho muita experiência, mas acho que irmão acaba virando amigo. Amigo só precisa ser cativado e cativar uma vez. E é permitido encher-se dos amigos. Seu chefe pode ser uma pessoa amiga. Pode nascer uma amizade de onde você menos imaginava. Amigo entende. Ou não. Amigo aceita. Ou não.
Que você seja chato.
Gordo demais ou magro demais.
Suas crises.
Que você seja a pessoa mais feliz, completa e realizada do mundo.
Que você seja você.
E lembre-se, por mais qualquer coisa que uma pessoa seja, sempre terá alguém que goste dela.
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31 de março de 2010
Homens e Mulheres
Sabe, eu costumo destacar muito as inúmeras qualidades que as mulheres no geral têm e os homens não: somos mais atenciosas, mais detalhistas, mais concentradas, temos mais visão de longo prazo e fazemos não duas, mas várias coisas ao mesmo tempo. Mas se eles têm uma vantagem garantida sobre nós, essa vantagem é que eles são muito mais simpáticos. Não sei se simpatia é a palavra certa, mas eu explico: as mulheres normalmente sentem uma aversão instantânea às outras mulheres.
Eu comecei a pensar nisso assistindo à final do Big Brother com o namorado (todo mundo tem uma desculpa esfarrapada pra assistir, né?), a grande maioria dos vencedores são homens... babacas. E o mais impressionante é que a maioria das pessoas que assistem são mulheres. Entende a contradição? O maior exemplo disso pra mim, foi quando o Alemão ganhou; o cara jurava amor por uma e pegava a outra e todo mundo achava isso lindo e super normal! Eu acho que quem deveria ter ganhado de verdade era a Íris, mas aí um monte de mulheres morreu de amores por um cara que, se fosse aquele seu colega de trabalho, você acharia um babaca. Mas sem entrar em discussões sobre a nossa sociedade machista ou outros complexos, acho que grande parte dessa escolha se deve ao fato de que mulher não simpatiza com mulher.
Não mesmo. Você tem as suas amigas e só. As outras mulheres sempre são vistas como potenciais inimigas. Quer bons exemplos? Sempre tem aquela funcionária nova da empresa que faz você se sentir ameaçada e que se fosse um cara, você nem ia ligar; sempre tem o amigo que apresenta aquela namorada insuportável, mas quando sua amiga vem com o rolo novo, você tem tendência a simpatizar; as piores inimigas na escola sempre são mulheres, porque os caras se entendem jogando futebol; os atores sempre são simpáticos e as atrizes frescas.
Numa festa, as mulheres não se enturmam com mulheres de diferentes lugares, fica sempre aquelas rodinhas com as mulheres que já se conhecem. Já os homens, esses usam qualquer desculpa pra falar com um cara que nunca viram na vida: é o futebol, um novo apetrecho tecnológico, o trabalho, a bebida, qualquer mínima semelhança e já surge um super papo que vai incorporando outros homens que também não se conheciam. E tem o exemplo mais clássico: quando você critica alguma outra mulher (aka: inimiga) por alguma atitude que ela tomou em determinada situação e quando a sua amiga faz coisa parecida, você defende, porque "ela está super certa, é totalmente diferente!"
Eu costumo dizer que se eu entrasse no Big Brother, saíria na segunda semana (sendo otimista). Porque eu sou mesmo insuportável: eu grito, faço escândalo, sou super nervosa, choro, quero tudo do meu jeito e quando sou contrariada faço bico, se acho um clip fora do lugar e eu já dou um piti, mas quando eu largo minhas coisas por aí, nem ligo, eu não sei ouvir 'não' e não admito ser criticada, sou mega teimosa, além de que, eu sempre tenho razão. Sempre. Já o Fê, eu acho mesmo que teria grandes chances de ganhar, porque ele é o social, o relax, pra ele tá tudo sempre bom, ele não encana com nada, ele quer se divertir, ele paga pra não brigar. E acho que não só entre nós dois, mas na maioria das relações por aí, é sempre assim, as mulheres são as mais neuróticas e os homens não dão grande importância às pequenas coisas.
Acho que sei por que não simpatizamos umas com as outras... pois vemos nelas os defeitos que tanto relutamos em reconhecer em nós mesmas.
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29 de março de 2010
Verdadeiras amizades continuam a crescer
Existe um texto chamado Depois de algum tempo, cuja autoria se atribui ao Shakespeare. Eu o li pela primeira vez há uns dez anos, e desde a minha primeira leitura acreditei que ele deve ter sido escrito por outra pessoa. Mas independentemente de quem o tenha criado, minha passagem preferida sempre foi: "(...) Aprende que não temos que mudar de amigos, se compreendermos que os amigos mudam.".
Essa tarefa é muito difícil. Nós nos acostumamos com as pessoas, mas conforme o tempo passa, nós e elas nos modificamos. E a reação mais fácil é deixá-las para trás, já que elas não são mais o que gostaríamos que fossem - o que, na verdade, é uma imbecilidade, porque nem nós mesmos somos bem o que gostaríamos de ser. Ao longo da minha vida eu me afastei de muitas pessoas, e quase nunca foi por iniciativa minha. Às vezes, sinto bastante falta de algumas pessoas que estão longe de mim por opção. Mas hoje eu sou como sou, e se isso frustra expectativas ou vontades, eu me pergunto: será que algum dia houve amizade de verdade?
Sábado, no open house da Tata (e do Fê), ficou bem nítido como a vida modificou as minhas amigas. E de uma forma muito maluca, ainda que nem sempre tenhamos plena consciência, o mundo nos deu o que precisávamos.
A Taís agora tem uma casa, tem um namorido, tem panelas e problemas com baratas. Ela tem nas mãos todo o espaço que precisa, a liberdade para ser tudo o que de fato é, e a compreensão nas conversas e no silêncio. A Cindy tem um emprego equilibrado e um namorado maravilhoso que lhe dá segurança. Ela tem o controle necessário para construir a vida da maneira que julgar melhor, e conquistou a serenidade do pensamento.
Mas enquanto nós cochichamos sobre pessoas estranhas, falamos sobre objetos de desejo ou pensamos em todas as Melissas do mundo, nós só somos três meninas que se conhecem há muito tempo. Para elas, volta o dia em que a menina séria conheceu a menina de sardas. Para mim, volta o dia em que uma garota balançava as pernas incansavelmente durante a minha primeira aula na faculdade, e volta a noite em que fomos numa festa horrível num estacionamento e eu conheci sua amiga, aquela que tinha florzinhas desenhadas nas unhas.
Eu acho que o que há de mais bonito na amizade é reconhecer nossos velhos amigos nas novas pessoas que eles se tornaram. É lembrar da cor preferida, de todas as fotos parecidas, dos amores que foram e dos que ficaram. Das diferenças, das discussões, da raiva explosiva e do aperto doído no peito antes de tudo ficar bem. Ser amigo é não ver o tempo passar. É saber que tudo vai mudar, mas que aquele amor inexplicável, que vai além das diferenças, vai sempre nos unir e nos fazer rir das mesmas bobagens.

... E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.
Essa tarefa é muito difícil. Nós nos acostumamos com as pessoas, mas conforme o tempo passa, nós e elas nos modificamos. E a reação mais fácil é deixá-las para trás, já que elas não são mais o que gostaríamos que fossem - o que, na verdade, é uma imbecilidade, porque nem nós mesmos somos bem o que gostaríamos de ser. Ao longo da minha vida eu me afastei de muitas pessoas, e quase nunca foi por iniciativa minha. Às vezes, sinto bastante falta de algumas pessoas que estão longe de mim por opção. Mas hoje eu sou como sou, e se isso frustra expectativas ou vontades, eu me pergunto: será que algum dia houve amizade de verdade?
Sábado, no open house da Tata (e do Fê), ficou bem nítido como a vida modificou as minhas amigas. E de uma forma muito maluca, ainda que nem sempre tenhamos plena consciência, o mundo nos deu o que precisávamos.
A Taís agora tem uma casa, tem um namorido, tem panelas e problemas com baratas. Ela tem nas mãos todo o espaço que precisa, a liberdade para ser tudo o que de fato é, e a compreensão nas conversas e no silêncio. A Cindy tem um emprego equilibrado e um namorado maravilhoso que lhe dá segurança. Ela tem o controle necessário para construir a vida da maneira que julgar melhor, e conquistou a serenidade do pensamento.
Mas enquanto nós cochichamos sobre pessoas estranhas, falamos sobre objetos de desejo ou pensamos em todas as Melissas do mundo, nós só somos três meninas que se conhecem há muito tempo. Para elas, volta o dia em que a menina séria conheceu a menina de sardas. Para mim, volta o dia em que uma garota balançava as pernas incansavelmente durante a minha primeira aula na faculdade, e volta a noite em que fomos numa festa horrível num estacionamento e eu conheci sua amiga, aquela que tinha florzinhas desenhadas nas unhas.
Eu acho que o que há de mais bonito na amizade é reconhecer nossos velhos amigos nas novas pessoas que eles se tornaram. É lembrar da cor preferida, de todas as fotos parecidas, dos amores que foram e dos que ficaram. Das diferenças, das discussões, da raiva explosiva e do aperto doído no peito antes de tudo ficar bem. Ser amigo é não ver o tempo passar. É saber que tudo vai mudar, mas que aquele amor inexplicável, que vai além das diferenças, vai sempre nos unir e nos fazer rir das mesmas bobagens.

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