Desde que posso me lembrar, a minha mãe trabalhou fora. Ela é fonoaudióloga e atende no consultório; quando eu era mais nova, ela também trabalhava na escola onde eu estudava - fato esse que me permitiu ser bolsista até a oitava série.
Nunca tivemos empregada. Durante o período em que a minha mãe trabalhou na escola e teve um registro profissional, tivemos uma "ajudante" que ia em casa duas vezes por semana para limpar e passar roupas. Com exceção desse período de poucos anos, a minha mãe sempre lavou, passou, cozinhou e cuidou de mim e do Thiago. Até hoje ela faz isso (quer dizer, hoje eu e o Thiago já quase conseguimos tomar conta de nós mesmos), e em casa temos faxineira a cada 15 dias.
Eu e todas as minhas amigas somos de uma geração que foi criada para ter uma profissão. Nós estudamos, nos formamos e batalhamos por bons empregos, bons salários e carreiras promissoras. Isso significa, quase sempre, trabalhar das 8h às 17h. Moramos em São Paulo, pegamos trânsito e ficamos cansadas diariamente. Ou seja, nós não levamos a vida das nossas mães. Para nós, é realmente impossível conciliar trabalho dentro e fora de casa.
Nós precisamos de alguém para cuidar da nossa casa, afinal chegamos cansadas e não queremos passar uma pilha de roupas. Talvez alguém tenha que fazer a nossa comida, ou correremos um grande risco de comermos ora lasanha congelada, ora pizza. Nós pensamos em ter filhos um dia. Nossos filhos ficarão em casa com a empregada, ou então sairão bem cedo conosco e passarão o dia inteiro na escola/creche. O tempo que teremos para ficar com eles será curto, e precisará ser usado para brincar e educar. Não parece ser fácil.
Na prática, todo esse blablabla de feminismo e suposta igualdade entre os sexos serviu para uma grande verdade: embutir na mulher um eterno sentimento de culpa. Culpa por não ter tempo para cuidar da sua própria casa como gostaria, culpa por não poder estar mais próxima dos filhos, culpa por não dar tanta atenção aos pais. Porque as oportunidades de trabalho podem ter mudado, mas a mulher continua crescendo com um instinto muito grande de cuidadora. Nós queremos fazer nossas coisas, dedicar tempo, deixar bonito, fazer direito. E não dá mais tempo.
Não sei qual é a solução para esse impasse. Não acredito que seja uma questão de dividir as tarefas com o namorado/marido/pai do seu filho, porque a verdade é que nós não queremos delegar tudo. Talvez seja uma questão de ser criada de forma diferente, para que possamos crescer sem essa vontade de abraçar o mundo.
Se a opção for por uma carreira de sucesso, empregada e babá, acredito que parte de nós ficará sempre um pouco balançada ao deixar o bebê resfriado na escolinha. E se a opção for trabalhar meio período para cuidar da casa e da cria, outra parte de nós poderá ficar entristecida pelas oportunidades profissionais que vão se tornando cada vez mais escassas com o passar do tempo.
Eu estou começando agora a cuidar da minha casa, e ao mesmo tempo procuro emprego desesperadamente. Quero voltar a trabalhar, quero conseguir um emprego bacana e ter um bom salário. Não vejo a hora de fazer minha pós e retomar o inglês. Mas eu estou gostando muito de cuidar da minha casa, e não sei se ficaria feliz se tivesse que colocar alguém aqui dentro para temperar o meu feijão. E daqui a uns anos, quando eu resolver ter filhos... bem, nem dá para pensar em como será.
Resposta certa, não existe. Mas o que você acha?
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27 de setembro de 2010
20 de setembro de 2010
Diário de bordo
Eu vim aqui rapidinho para que vocês não fiquem bravos por só ter texto da Tata!
Então os inquilinos saíram do apartamento uma semana antes do casamento, e nós provamos que esse pessoal do Extreme Makover - Reconstrução Total não é assim tão fodão. Afinal, com menos pessoas, menos dinheiro e um feriado no meio (o que impede a reforma em apês), também montamos um apartamento inteiro.
Aí teve a festa que foi a melhor do mundo, meu vestido que era o mais lindo, com a comida mais gostosa e a música mais legal. Valeu a pena ter passado um ano inteiro planejando e ter pensado em cada detalhe, porque quase tudo saiu como eu gostaria - e, assim, eu acho que foi o melhor do mundo.
Depois fomos pra região dos vinhedos, em Bento Gonçalves, e passamos uma semana passeando, descansando e conhecendo lugares e comidas maravilhosos - confesso que gostei mais dos lugares, porque a comida em excesso de quantidade e gordura me derrubou em alguns momentos.
Voltamos para a São Paulo nublada no sábado à noite, com o apartamento, móveis, presentes e as nossas coisas esperando para serem limpos, guardados e arrumados. Toda hora tem alguém tocando o interfone, os armários vão ficando cheios e eu aos poucos vou entendendo a necessidade de tapetes e cortinas.
Conforme eu começar a processar tantas mudanças, vou contando a vocês. E depois eu volto para dar a minha opinião (devidamente ilustrada) sobre os tais adesivos de parede!
Então os inquilinos saíram do apartamento uma semana antes do casamento, e nós provamos que esse pessoal do Extreme Makover - Reconstrução Total não é assim tão fodão. Afinal, com menos pessoas, menos dinheiro e um feriado no meio (o que impede a reforma em apês), também montamos um apartamento inteiro.
Aí teve a festa que foi a melhor do mundo, meu vestido que era o mais lindo, com a comida mais gostosa e a música mais legal. Valeu a pena ter passado um ano inteiro planejando e ter pensado em cada detalhe, porque quase tudo saiu como eu gostaria - e, assim, eu acho que foi o melhor do mundo.
Depois fomos pra região dos vinhedos, em Bento Gonçalves, e passamos uma semana passeando, descansando e conhecendo lugares e comidas maravilhosos - confesso que gostei mais dos lugares, porque a comida em excesso de quantidade e gordura me derrubou em alguns momentos.
Voltamos para a São Paulo nublada no sábado à noite, com o apartamento, móveis, presentes e as nossas coisas esperando para serem limpos, guardados e arrumados. Toda hora tem alguém tocando o interfone, os armários vão ficando cheios e eu aos poucos vou entendendo a necessidade de tapetes e cortinas.
Conforme eu começar a processar tantas mudanças, vou contando a vocês. E depois eu volto para dar a minha opinião (devidamente ilustrada) sobre os tais adesivos de parede!
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15 de setembro de 2010
O 'Lado B' dos adesivos
Na semana passada nós passeamos por lindos ambientes finalizados com um toque a mais do adesivo de parede. A idéia parece ser à prova de erros, mas acredite, sempre tem um idiota...
What not to do!
...pra achar que o adesivo pode substituir as plantas de verdade:
Nos três casos, um bonito vaso com folhagens ficaria bem melhor. Não quer ter trabalho ou não dá sorte com 'coisas vivas' (como eu)? Invista em umas folhas artificiais de qualidade. Não quer gastar muito? Sempre tem a 25 de março (e sim, dá pra achar coisas lindas lá!)
...pra achar que os adesivos vão bem no lugar de quadros:
Adesivo é adesivo e quadro é quadro, vamos separar as coisas. Eu não gosto de quadros na minha casa, porque não gosto de decoração 'séria' e prefiro ter puffs no lugar do sofá. Mas eu sei o valor que os quadros têm e como deixam o ambiente mais sofisticado. Nesses dois casos, teria ficado infinitamente melhor. Mas ninguém está falando que tem que ser caro: dá muito bem pra comprar umas figuras por aí e mandar colocar uma moldura daquelas bem grossas!
...pra exagerar na proporção:
Não é porque a cartela vem recheada de adesivos que você é obrigada a usar todos né? E sair colando um monte de figuras sem nenhuma lógica não me parece um bom plano. Claro que o resultado vai ser desastroso!
Eu continuo afirmando, bom senso é fundamental! Veja este exemplo:
A idéia das pimentinhas é super divertida, mas a pessoa errou feio na proporção. Teria ficado bem mais bonito dispensando os adesivos grandes nos armários e eu preferiria apenas uma fileira nos azulejos. Lição pra (quase) tudo na vida: Menos é mais!
E por falar em diversão, separei mais uns modelos inspiradores e engraçadinhos pra gente:
Achei os cupcakes simpáticos (ok, eu sou obcecada por cupcakes!), mas talvez ficasse melhor em outro lugar e com outra disposição. Eu tenho um pouco de medo de adesivos em geladeira (talvez pelo mesmo motivo que eu não gosto de imãs: eu gosto delas branquinhas, limpinhas e puras - apesar de não gostar de limpá-las), mas esse pinguim eu já tinha visto ao vivo e achei super divertido, parece até que dá pra escrever recadinhos na barriga dele! As vaquinhas, apesar de 'quase' exageradas, conseguiram me arrancar um sorriso, eu só acho que eu enjoaria depressa de tanto colorido assim. E os flocos de neve super conquistaram meu coração! Até porque eu tenho uma bonequinha de gelo ocupando o espaço do pinguim e iria combinar muito (mas com um pouco menos de flocos).
Esse som colorido com caixinha flexíveis me lembrou de leve o 'Big Brother', mas eu acho que a cor alegrou bem o ambiente. Pára tudo! Agora olha esse All Star. Por que eu não tenho mais 16 anos pra ter um desse no meu quarto??? Os patinhos são muito fofos e apesar de agora eu ter que fingir que sou gente grande só porque tenho uma casa, confesso que quero muito alguns deles no meu banheiro. E esse quarto escuro pode parecer um pouco radical, mas se é pra alguém que curti muito astronômia, é bem legal, né?
Qual é o seu preferido?
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8 de setembro de 2010
O 'Fast Fashion' da decoração
Alguém já te contou que existe uma coisa prática, rápida e barata que pode dar um up na sua decoração? É claro que existe: o adesivo de parede!
O adesivo de parede é sim muito prático, dispensa todo o quebra quebra e cheiro de tinta chatos das reformas; além disso ele é super fácil e rápido de ser aplicado, você mesma pode colocar e dispensar a ajuda de qualquer homem (viu? mais fácil que abrir potes de azeitona).
Adesivo lembra coisa de criança né? Mas não se engane, o adesivo pode ser um super aliado na decoração e deixar mais charmoso aquele ambientizinho mais ou menos que você tinha. Pra mim, a grande graça é exatamente isso: usá-lo para dar um destaque.
Estas salas ganharam todo um charme com os adesivos. parece que ele é assim: exatamente o que estava faltando e você não sabia. Até no último exemplo, eu que não daria a mínima pra esses elefantes no papel, achei que combinou prefeitamente com o estilo do ambiente. Nos quartos abaixo podemos ver como o adesivo pode servir pra acentuar um estilo: mais romântico, mais sensual, mais juvenil.
Um modelo que eu particularmente adoro são os adesivos de frases, foram os primeiros que eu vi pipocando por aí e já os vi nos mais diversos lugares como restaurantes ou na sala do meu ginecologista (eu posso estar deitada com a perna aberta, mas eu ainda tenho dignidade e abro as pernas enquanto leio Clarice Lispector no teto dele!). A boa notícia é que hoje em dia você pode mandar fazer sua frase personalizada (sim, estou louca para encomendar a minha!).
Os adesivos também são bastante úteis na hora de complementar a decoração de quartos infantis. Aqui, você pode abusar com um tema abstrato de menininhas (boneca, flor, borboleta), de menininhos (robô, carrinho) ou escolher um personagem dos tão amados desenhos infantis.
O bom é que ele vem todo separado, então você pode usar a imaginação e recortar e colar do jeito que bem quiser. E olha como qualquer ambiente pode ganhar um adesivo pra chamar de seu: do agito da academia à sobriedade do escritório, passando pelo imaculado quartinho do bebê. Tudo é uma questão de bom senso!
Os adesivos podem ser encontrados de monte na internet (mas os preços são um pouco mais salgados), todas as fotos desse post eu tirei desse site aqui, pois foi o primeiro que o google mostrou, mas você encontra em inúmeros outros. E a maioria dos shoppings por aí tem quiosques onde você pode comprar o seu (foi o que eu fiz).
Eu preciso me controlar com essa coisa de adesivos, que é mais ou menos como tatuagem pra mim: eu acho tudo lindo e queria fazer um monte, o bom é que o adesivo sai facinho e, dizem, nem suja a parede, então se enjoar, é só trocar por outro. Olha aí o meu (primeiro) escolhido (que substituiu, por ora, minha tão desejada parede roxa), com flores e circulos:
Tá, minha foto não é tão profissional!
Mas se você acha que tudo é muito lindo quando o tema é adesivo de parede, aguarde, que na próxima quarta eu te mostro o lado B.
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26 de julho de 2010
Too much
Casar, dar festa, montar casa, não dá para negar que tudo isso é bem legal. Mas dá trabalho, é óbvio. E cansa. Porque parece que quanto mais perto chega, mais coisas vão surgindo. Aí eu olho para o calendário, suspiro e penso: dá tempo?
Primeiro sobre a festa. Numa altura dessas, com quase tudo resolvido, começam as dúvidas que só vão dizer se são ou não reais quando estivermos nos pênaltis. Eu escolhi as flores. Será que vão encontrar as que escolhi? Da cor certa? Vão fazer o arranjo como eu quero? E se não der? Então eu escolho outra flor. Mas e se nem essa der? Agora que eu escolhi as músicas, posso contar que o DJ vai encontrar nas versões que eu quero? Por via das dúvidas, gravo um CD com as músicas e versões certinhas. E outro com fotos de decoração, vai. Ah, será que o buquê vai ficar como eu estou pensando?
Será que as pessoas vão conseguir chegar lá? Será que vai chover? E os fornecedores, vão entregar os docinhos na hora? Vai dar para usar as forminhas que eu comprei? E a mesa dos bem-casados? Será que a bebida vai dar? Minha maquiagem vai ficar bonita? E se a minha pele estiver irritada no dia? Vou conseguir tirar o véu sem desmanchar o penteado? Ah, e semana que vem já é a prova do vestido... será que ele estará tão bonito quanto parecia?
Ainda estamos distribuindo os convites. Tem pessoas para quem você PRECISA entregar pessoalmente. Mesmo assim, hoje foi para o correio uma leva enorme de envelopes. Mais dinheiro. Mas foi o fim de um longo trabalho de ligar para as pessoas, explicar que convite chegará na semana que vem, pedir para que confirmem o recebimento. Tem aquelas que não dizem o endereço, mas pedem por favor para que você vá lá levar. Tem gente que te dá o endereço e não expressa a menor animação com o convite. Tem gente que se nega a atender o telefone porque não quer saber de você e nem de porcaria de casamento nenhum.
Minha tia resolveu organizar meu chá de panelas. Eu não gosto dessas coisas, mas são tantas pequenices a serem compradas que é melhor contar com a colaboração dos outros. Lembrancinhas, comidinhas, bebidinhas. Mais dinheiro. E tem que convidar logo, e tem que explicar aonde está a lista, e tem que pensar se vai ter música.
Os inquilinos, que prometeram sair do apartamento agora, no final de julho, resolveram (há um mês atrás, acho) que só vão sair quando terminar o contrato: no dia 3 de setembro. O que fazer, uma ordem de despejo? Demora meses. Então vamos mandar a carta avisando que o contrato não será renovado e que as chaves deverão ser entregues no dia 3. E que o apartamento deverá estar vazio, porque no dia 4 estaremos lá. Vamos ligar para a loja de móveis a agendar a medição dos cômodos com os inquilinos lá dentro, vai. A faxineira deles abre a porta. Lá vão os caras da Italínea dar com o nariz na porta, porque a faxineira faltou.
E tem outros móveis, escolhidos com cuidado e carinho para serem bonitos, com preço camarada e num tamanho que se adeque aos nossos quase 48 metros quadrados. Acrescidos da explicação que não temos como receber nada antes de setembro. Mais lojas, mais conversas, mais orçamentos, ih, mudou agora o destino da lua de mel.
Aí tem gente que te convida para fazer alguma coisa e fica chateado porque você não vai. Mas não dá tempo, eu estou cansada, minha cabeça está lotada de coisas. Tem gente que pergunta por que você vai fazer ou deixar de fazer alguma coisa no chá. Eu sei lá de chá, vou deixar as pessoas se divertirem e aproveitar a tarde para me distrair. Tem gente que questiona decoração, comida, cores, ah, francamente!
É muita coisa, gente. Ainda bem que está acabando!
Primeiro sobre a festa. Numa altura dessas, com quase tudo resolvido, começam as dúvidas que só vão dizer se são ou não reais quando estivermos nos pênaltis. Eu escolhi as flores. Será que vão encontrar as que escolhi? Da cor certa? Vão fazer o arranjo como eu quero? E se não der? Então eu escolho outra flor. Mas e se nem essa der? Agora que eu escolhi as músicas, posso contar que o DJ vai encontrar nas versões que eu quero? Por via das dúvidas, gravo um CD com as músicas e versões certinhas. E outro com fotos de decoração, vai. Ah, será que o buquê vai ficar como eu estou pensando?
Será que as pessoas vão conseguir chegar lá? Será que vai chover? E os fornecedores, vão entregar os docinhos na hora? Vai dar para usar as forminhas que eu comprei? E a mesa dos bem-casados? Será que a bebida vai dar? Minha maquiagem vai ficar bonita? E se a minha pele estiver irritada no dia? Vou conseguir tirar o véu sem desmanchar o penteado? Ah, e semana que vem já é a prova do vestido... será que ele estará tão bonito quanto parecia?
Ainda estamos distribuindo os convites. Tem pessoas para quem você PRECISA entregar pessoalmente. Mesmo assim, hoje foi para o correio uma leva enorme de envelopes. Mais dinheiro. Mas foi o fim de um longo trabalho de ligar para as pessoas, explicar que convite chegará na semana que vem, pedir para que confirmem o recebimento. Tem aquelas que não dizem o endereço, mas pedem por favor para que você vá lá levar. Tem gente que te dá o endereço e não expressa a menor animação com o convite. Tem gente que se nega a atender o telefone porque não quer saber de você e nem de porcaria de casamento nenhum.
Minha tia resolveu organizar meu chá de panelas. Eu não gosto dessas coisas, mas são tantas pequenices a serem compradas que é melhor contar com a colaboração dos outros. Lembrancinhas, comidinhas, bebidinhas. Mais dinheiro. E tem que convidar logo, e tem que explicar aonde está a lista, e tem que pensar se vai ter música.
Os inquilinos, que prometeram sair do apartamento agora, no final de julho, resolveram (há um mês atrás, acho) que só vão sair quando terminar o contrato: no dia 3 de setembro. O que fazer, uma ordem de despejo? Demora meses. Então vamos mandar a carta avisando que o contrato não será renovado e que as chaves deverão ser entregues no dia 3. E que o apartamento deverá estar vazio, porque no dia 4 estaremos lá. Vamos ligar para a loja de móveis a agendar a medição dos cômodos com os inquilinos lá dentro, vai. A faxineira deles abre a porta. Lá vão os caras da Italínea dar com o nariz na porta, porque a faxineira faltou.
E tem outros móveis, escolhidos com cuidado e carinho para serem bonitos, com preço camarada e num tamanho que se adeque aos nossos quase 48 metros quadrados. Acrescidos da explicação que não temos como receber nada antes de setembro. Mais lojas, mais conversas, mais orçamentos, ih, mudou agora o destino da lua de mel.
Aí tem gente que te convida para fazer alguma coisa e fica chateado porque você não vai. Mas não dá tempo, eu estou cansada, minha cabeça está lotada de coisas. Tem gente que pergunta por que você vai fazer ou deixar de fazer alguma coisa no chá. Eu sei lá de chá, vou deixar as pessoas se divertirem e aproveitar a tarde para me distrair. Tem gente que questiona decoração, comida, cores, ah, francamente!
É muita coisa, gente. Ainda bem que está acabando!
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5 de maio de 2010
Dicas de uma dona de casa em formação
A quem possa interessar, eu já sei fazer arroz e macarrão muito bem. Aliás estou quase elegendo macarrão como minha comida preferida, pois, contrariando minha descendência italiana nunca achei graça nele - e continuo não achando, mas é tão prático de fazer! Também já sei passar roupa super bem - comparado com antes que era nada. Mas eu sou da teoria que não precisa caprichar tanto na 'passagem' já que você vai dividir o seu metro quadrado do metrô com outras 40 pessoas (eu não divido mais, mas as pessoas ao meu redor não precisam saber disso).
Sendo assim, reuni algumas dicas importantíssimas que fui aprendendo ao longo desse último mês e que eu adoraria que alguém tivesse me dado antes!
Diga não às panelas de Inox! Elas são lindas, eu sei, e extremamente tentadoras. Mas são muito, muito ruins na hora de usar. Mas ruins no limite da insuportabilidade. Elas vão queimar, é um fato, não importa que estejam no fogo mais baixo por somente 5 minutos. E a sua comida vai ter que ficar meio crua, pra não ficar torrada. E vai ser impossível limpar, pois você não pode usar bombril. E mesmo que você esteja só fervendo água e ela não queime, ela vai ficar escura imediatamente após o primeiro uso. E nada vai fazer ela voltar a cor original.E nem pense em tentar fritar qualquer tipo de alimento nela, você não quer ter que passar por essa experiência. Então, a menos que você tenha aquelas cozinhas de novela, onde as panelas ficam penduradas, opte pelas boas, práticas e fáceis de limpar de teflon!
Copos nunca são demais. Nunca. Quando eu ganhei 26 copos eu realmente achei que era um exagero e cogitei até trocar um dos conjuntos por algo mais útil, mas acabei deixando guardado pra quando os que estão em uso quebrar. Mas é impressionante a capacidade que dois seres humanos tem de sujar copos. Então eu aprendi que a conta não é numero de copos X pessoas, mas sim número de copos X quantidade de dias que você vai ficar sem lavar a louça. Assim, eu instalei a regra de "um copo só" quando a gente faz as refeições juntos e estou realmente pensando em cometer um atentado ao meio ambiente e adotar os copos de plástico para o dia a dia.
Baratas são extermináveis. O meu maior medo ainda é dar de cara com uma baratona (e todas elas recebem o sufixo 'ona' pra mim) quando eu estiver sozinha em casa. Apesar de saber que em algum lugar dessa casa tem um inseticida, eu provavelmente vou sair correndo e só voltar quando alguém já tiver entrado lá e matado a dita cuja - olha a minha cara de quem vai correr atrás dela espirrando aguinha!. Mas desde que nós adotamos um remédio mágico, elas nunca mais deram o ar da sua graça por aqui.São umas caixinhas pretas da Raid, que você espalha pelos cômodos da casa. Elas tem uma pequena abertura, aí a barata vem, entra lá (ok, eu não gosto de pensar nessa parte), come o veneninho (que de alguma forma as atrai lá pra dentro) volta pro ninho (blergh) e contamina todos os seus entes com o veneno (eba!). Assim, você fica protegido por uns 3 meses, depois tem que trocar as caixinhas. Eu estou pensando em trocar com dois, só pra não dar tempo delas se reproduzirem!
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24 de março de 2010
Mi casa, su casa
Sério, eu não sei como as pessoas conseguem construir ou reformar uma casa. Só de mobiliar minimamente a minha e fazer pequenos reparos eu já estou quase tendo um surto. É muita coisa pra decidir e tudo junto nesse minuto agora. Primeiro foram longas semanas de ansiedade até finalmente assinar o contrato e eu já fui pesquisando o que podia, mas nada pode ser decidido antes de ter assinado de fato. Agora a gente tem que fazer as reforminhas básicas, carregar todas as nossas coisas pra lá (que não são poucas), comprar os móveis/eletrodomésticos, organizar 2 chás, fazer a lista de presentes... e tem o fator tempo (a gente só tem os finais de semana pra colocar a mão na massa) X dinheiro (temos que pesquisar o lugar mais barato, que nem sempre é o mais perto).
Eu achei que seria super legal fazer a lista e escolher coisas bonitinhas pra casa. Primeiro que foi uma indecisão sobre fazer ou não uma lista, porque algumas pessoas exigiram e outras acham muito pretensioso, algumas pessoas querem dar um presentão como se fosse de casamento e outras não mais que um pacote de pregador. Mas como fazer aqueles papeizinhos individuais daria muito trabalho, optamos por uma lista super abrangente de 1 real a 200. Cada um dá o que quer e o que pode, o importante é o carinho. Aí eu preciso decidir se quero um escorredor de louça de plástico, alumínio ou inox. Sério, eu nem sei a diferença entre alumínio e inox! O meu critério é sempre 'o mais bonito', mas os dois são prateados. Whatever! É só um escorredor!
Em meio a essa loucura de utensílios, eu descobri que existe uma coisa genial chamada omeleteira! Como ninguém tinha me mostrado isso antes? Nada mais é do que 2 frigideiras encaixadas, mas com essa engenhoca mágica eu teria evitado de transformar quase todos os meus omeletes em ovos mexidos!
Aí eu procuro uma missão mais fácil, como comprar tinta, afinal, qual dificuldade pode haver nisso? Eu descubro que eu quero uma tinta látex (de onde vem esse nome?), mas é latéx acrílico ou pva? Gente, é só uma tinta comum de parede. Ok, a cor é branca, simples. Mas eu quero branco neve ou branco gelo? Meu! Neve e gelo não tem exatamente a mesma cor?? Não, parece que para os fabricantes de tinta o gelo é acinzentado!
Mas claro que tem toda a parte gostosa, de fazer tudo do nosso jeito, sem se importar com as opiniões alheias que insistem em dizer que o colchão não pode ficar diretamente no chão, mas não sabem explicar o porquê. Então, o nosso colchão vai ficar no chão porque cama é desnecessário e assim é muito mais legal! Sofá também é coisa de casa de mãe, a gente quer apenas puffs gostosos e coloridos (que antes eu via em toda esquina e agora sumiram, por sinal!), a nossa mesa vai ser redonda pra não ter hieraquia; a tv não vai ser o centro da sala, os livros é que vão, a gente vai ter uma hortinha com hortelã, manjericão, orégano e afins e o Fê até deixou eu fazer uma super prateleira ao lado do espelho do banheiro pra colocar todas as minhas maquiagens expostas! =)
A gente também decretou guerra àqueles conjuntinhos de tapete brega de banheiro (um pra pia, um pro box e o outro sei lá pra quê), alias, aos tapetes em geral, que eu odeio e minha avó insistia em colocar no meu quarto, os únicos que estão à salvo são os de cozinha, porque eu sei que o chão atrai água e óleo. Mas se tem uma coisa que eu odeio mais que os tapetes, são aquelas toalhinhas de crochê. Puta coisa de velha querer por toalhinha em cima de tudo que é coisa! Na geladeira então, até atrapalha o bom funcionamento do equipamento. Morte às toalhinhas!
E com essa correria toda, eu estou completamente sem tempo de fazer qualquer outra coisa. Meu pé tá duro de tanto pó e falta de creminhos diários, eu nem sei onde anda a minha necessaire de maquiagem no meio de tantas caixas e sacolas, minha unha não vê esmalte há mais de 2 semanas (e pra ajudar eu roí todas até a carne) e após quase 5 meses eu resolvi me render à manicure e arrancar toda essa cutícula seca, porque eu não tive um mínimo segundo para hidratá-las nessas semanas. Parece que até o meu cabelo resolveu se rebelar, ele tá meio sem formato definido, tipo "não sei se sou comprido, não sei se sou curto" e toda hora que eu me olho no espelho, estou com a maior cara de despenteada do mundo! Enfim, estou querendo muito que passe toda essa loucura, que eu possa ficar o feriado inteiro trancada na minha casa (que eu espero que esteja limpa e arrumada até lá) sem fazer nada e que me sobrem umas horinhas pra fazer comprinhas de madame na liberdade, porque eu estou precisando mesmo!
E isso, minhas queridas, é a mão de uma mais nova dona de casa (e com a minha mais nova toalha de rosto linda ao fundo! Porque eu não vou mais na sessão de dvd's da Americanas, só na de UD!)
*Prometo que é o último post sobre o assunto (pelo menos por enquanto!)
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17 de março de 2010
Ah, eu NÃO vou casar!
Desde que o Fê e eu começamos a procurar um apartamento eu já perdi a conta de quantas inúmeras vezes eu tive que corrigir as pessoas dizendo que não, nós NÃO estamos casando! Não estamos mesmo, eu considero uma coisa muito simples duas pessoas decidirem morar junto, mas eu presenciei todo tipo de visão: tem gente que acha um absurdo, uma coisa imoral - isso em 2010! E uma coisa eu não consigo entender sobre isso: se eu estivesse grávida todo mundo iria achar muito justo e normal sair correndo pra morar junto em qualquer barraco e me enfiar em um monte de dívidas, mas como foi uma idéia bem pensada e planejada, no lugar que a gente escolheu, aí não pode! Tem que casar; minha sogra adorou a idéia, mas ficou com uma pulguinha atrás da orelha, perguntou se a gente não queria pelo menos 'tomar uma benção' (e o que é um casamento senão uma benção?) e ainda está com a idéia fixa de que a gente tem que por pelo menos uma aliança. Minha mãe se empolgou e disse que eu posso levar as panelas novas de inox que ela tinha acabado de comprar, a sanduicheira, uns panos de prato e toalhas e até um dos colchões infláveis de visitas, e já está pensando em ser avó (aliás, todos os nossos pais estão pensando nos rebentos, que vão demorar, segundo os nossos planos, no mínimo uns 3 anos). Meu chefe falou que é ótimo pra fazer um test-drive e que ele morou com 3 mulheres diferentes antes de casar. A reação mais surpreendente foi a da minha avó: "casar pra quê?", ela adorou essa estória de só morar junto, mas me perguntou mil vezes se ele queria mesmo ou se eu estava obrigando o coitadinho!
De todas, a visão mais bonita veio de um casal de amigos que também só moram juntos. Segundo eles, morar junto é mais do que casar, porque é um casamento sem o peso do papel, uma escolha feita apenas pelo coração, de dividir a sua vida, o cotidiano, as decisões, as responsabilidades. De tanto que falaram, até o Fê já começou a me chamar de Sra. Portes, apesar de ter espasmos toda vez que ouve a palavra "casamento". Mas, de verdade, não é casamento. Por que eu ainda quero entrar na igreja de branco, colocar uma aliança na mão esquerda e ter uma super festa rodeada das pessoas mais queridas, mas eu não acho que tem que ser agora. Talvez esse plano seja descartado um dia, em meio a tantos outros mais importantes, como comprar um apartamento e viajar. Mesmo assim, ainda faço questão do papel assinado e da troca de alianças e aí vocês poderão me considerar uma mulher casada!
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