30 de dezembro de 2009

Sobre expectativas, desejos, rituais, promessas e afins

Postado por Tata na quarta-feira, dezembro 30, 2009 3 comentários
Todo fim de ano é a mesma coisa, aparecem mil rituais de boa sorte, de comer uva e guardar a semente, de jogar flores pra Iemanjá, de usar calcinha nova, de escolher a cor da camiseta. Desses dois últimos eu não abro mão: todo ano novo tem a calcinha vermelha nova, pra garantir a paixão, e eu vou variando a cor da camiseta, que esse ano é amarela, porque amor eu já tenho, agora me falta o dinheiro.

E todo ano novo, traz promessas novas: tem gente que quer parar de fumar, quer emagrecer, quer voltar a estudar ou mudar de emprego. Nesse ano, a minha promessa é não fazer promessas. Acontece que eu quero tanta coisa, mas que dependem de acontecimentos que estão totalmente fora do meu controle, que eu resolvi relaxar e esperar. Quando chegar a hora, eu decido.

Quando eu penso nas coisas que eu quero pro ano que vem, bem, elas são muitas, mas se a vida continuar tomando esse rumo de agora, já está muito bom. Então, sem reflexões muito profundas, o que eu espero de 2010 é que o Brasil ganhe a Copa (e que eu ganhe muitas daquelas tabelinhas bonitas que a gente preeenche na Copa), que o Adriano esteja na seleção, pros jogos terem mais graça, que o Fê consiga fazer o TCC dele sem grande estresse (e que ele termine logo a faculdade, que tenha uma super festa de formatura e que nós tenhamos nossas noites livres finalmente), que o PSDB finalmente saia do poder em São Paulo e que o Serra não seja presidente (não porque eu tenha outro candidato em mente, só porque eu não gosto do Serra mesmo), que eu compre o meu Nintendo Wii e faça minha nova tatuagem.

E a profundidade, eu deixo pro Drummond:

Receita de Ano Novo

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser, novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

(Carlos Drummond de Andrade)

28 de dezembro de 2009

Guia prático para um ano novo

Postado por Amanda Mirasierras na segunda-feira, dezembro 28, 2009 4 comentários
Eu adoro ano novo. Não ligo para grandes festas e nem faço questão de ver queima de fogos, mas é incrível a sensação de dever cumprido que eu sinto. Como se eu tivesse fechado um ciclo e estivesse inteiramente renovada para recomeçar com mais vontade.

Não sou dada a promessas e mandingas de ano novo. Não pulo ondas, não como uvas, não faço listas, mas sempre repasso tudo o que aconteceu e penso em como poderia ter sido melhor - ou, em certos casos, menos pior.

Para aqueles que gostam de promessas de ano novo, ou para os que simplesmente fazem um balanço final, me atrevo a sugerir alguns exercícios durante o ano que vai começar. Eis aqui o que desejo para vocês em 2010:

1. Fique perto de quem você ama
Esteja cercado de amor, seja da sua família ou dos seus amigos. Divida tudo com quem você gosta. Não guarde pessoas especiais para aniversários ou baladas; faça parte da vida delas e permita que elas façam parte da sua sempre.

2. Não se esconda atrás das suas imperfeições
Todos temos defeitos e é muito válido conhecer cada um deles. Mas não cometa o erro de se basear neles para justificar suas atitudes. Não queira ser compreendido porque sua natureza á briguenta, teimosa ou mal humorada. Ao invés disso, tente contornar as situações e encará-las de uma maneira diferente e menos carrancuda.

3. Assuma suas responsabilidades
A vida é cheia de novidades, e muitas vezes elas fogem do controle. Nós não controlamos o mundo, mas controlamos nossa postura. Então, entenda que você leva exatamente a vida que quer levar. E se não leva, aprenda que mudar só depende de você.

4. Tenha coragem
Continuando o pensamento acima, não enxergue sua vida de maneira permanente. Permita-se mudar, recomeçar, arriscar, se dar mal e tentar outra vez. Acho que ter coragem é a única maneira de olhar para a própria vida e ter a certeza de que estamos fazendo tudo o que é possível.

5. Acredite
Não é preciso crer em algo extraordinário ou seguir uma religião. Mas acredite em você, no mundo, na sua vida, nas pessoas, na bondade. Acredite do fundo do coração que tudo pode melhorar, que as dores são passageiras e que você vai ser muito feliz. Apegue-se a essa crença com toda a força.

E é isso, queridos amigos. Espero que o ano que vem seja sempre melhor do que esse. Que vocês sejam felizes, amem, riam, aprendam e nunca desistam. Nos vemos em 2010!

25 de dezembro de 2009

Então, é Natal!

Postado por Ci na sexta-feira, dezembro 25, 2009 3 comentários
Tenho apenas uma lembrança clara do Papai Noel na minha infância. Uma vez, enquanto meus pais colocavam o presente na porta da casa da minha avó, meu primo corria comigo pra laje e apontava pro céu. Eu ficava meio na dúvida, porque ele falava "olha lá, olha lá" e eu não via, bem, nada, mas ainda sim acreditava. E é óbvio que eu estava errada. O presente estava lá, o Papai Noel havia sim, passado por ali.

Acho triste quem diz que Papai Noel não existe. Eu acredito em Papai Noel. Que se pode fazer se eles insistem em se disfarçar de gente normal. Mas que eles existem, existem.

Já tem um tempo (acho que sempre) que eu acredito na magia. A mágica é outra história. Talvez não possamos acreditar no bom velhinho que faz os presentes em uma máquina enorme e voa por aí em um trenó, seria mágico mas irreal. Mas podemos acreditar na magia que envolve uma criança escrever uma cartinha e um pai, um papai noel, que dá o seu presente feliz na noite de natal.

E eu acredito e sempre acreitarei. A magia do Papai Noel é real.

Apesar de nunca ter visto o bom velhinho e de nem sempre na vida ter tido Natais maravilhosos, eu amo Natal. A magia não está apenas no Seu Noel, mas está em cada cantinho, em cada lembrancinha, em cada Feliz Natal. É toda uma preparação, tem as comidas, o cheiro de Natal que invade a casa neste momento (porque hoje é dia 24, programarei para entrar o post à meia-noite), os presentes que eu acabei de embrulhar

Escolhi cada um a dedo e com o coração. Não comprei nenhum para fazer social e embrulhei cada um com o maior carinho e amor do mundo! Usei minhas embalagens de pobre com fitilho e papel celofane transparente. Usei papel de dobradura (porque eu nunca sei o nome) verde e vermelho e acabo de colocá-los na árvore. Daqui a pouco vem o banho de Natal, a roupa escolhida especialmente para a ocasião e os parentes chegando.

A gente fica cheio. É um sentimento tão grande que a gente se abraça, se deseja, as bons votos parecem que saem da pele e fica aquele clima agradável, sorridente, embalado pelo cheiro do Peru e pelas renas saltitantes que decoram o salão. A decoração por sinal, começou cedo. Tem as renas, o papai noel no seu trenó, o presépio (aguardando Jesus que é colocado pela criança mais nova à meia-noite), a mesa de comidas toda decorada, a neve artificial que está em todos os locais... até na escadinha do quadro. As velas nos cantos, muitas luzinhas e pisca-piscas. E os presentes. Muitos presente.

No meio de tudo isso, está a magia. Em cada embrulho, em cada aroma, em cada pisca-pisca. Essa boa energia nos renova e nos prepara. Nos liberta. É o booom de coisa boa, para ficarmos livres para as promessas do próximo ano. Pelo menos uma vez, passa a raiva, o rancor, passa por um bem maior. E aí vem o ano novo e entramos recarregados no ano seguinte.

Não sei se todas as pessoas têm Natais tão felizes como são os meus. Mas neste Natal, desejo a vocês que tenham, cada um do seu modo, os Natais mais felizes do mundo.

"Então bom Natal e Ano Novo também, que seja feliz que souber o que é o bem."

23 de dezembro de 2009

Os Fantasmas de Natal

Postado por Tata na quarta-feira, dezembro 23, 2009 3 comentários
Sabe, eu não consigo decidir o que eu gosto mais no natal: se são os presentes, os cartões, os papéis coloridos, as musiquinhas, a neve, as árvores enfeitadas, as luzinhas, as comidas ou o clima de paz que paira no ar. Pensando nos meus natais, eu consigo dividi-los perfeitamente em três fases.

O Fantasma do Natal Passado: os meus Natais de pequena eram muito mais mágicos, mas talvez seja impressão, porque eu era pequena e fantasiava mais em cima deles. Todo ano eu assistia o Especial de Natal da Xuxa (que costumava ser dia 24), mas antes eu colocava um sapato perto da janela (eu sei, devia ser uma meia!) pro Papai Noel deixar o meu presente, e depois da meia noite saía correndo pra ver se o presente já estava lá. E sempre tocava a música da Simone. Nessa época, teve o Natal triste, quando minha prima me contou que Papai Noel não existe (não?), mas teve o Natal super divertido com um mega amigo secreto da família toda (e que eu tirei minha avó) e foi quando eu ganhei a árvore grande que eu tanto queria!

O Fantasma do Natal Presente: coincidentemente, depois de me dar a árvore, os meus pais desencanaram de fazer festona de Natal. Talvez porque eu já me divertisse o suficiente montando a árvore, embrulhando presentes de mentirinha pra colocar embaixo dela, fazendo neve de algodão, enfeitando o resto da casa, etc. Então, os meus Natais passaram a ser nômades, cada ano em um lugar. Teve um chato na casa das minha tias crentes que não comemoram natal (e que a gente só descobriu na hora), teve um no interior que só tem o almoço do dia 25 (quando eles matam um porcão) e a gente passou a noite numa praça e me frustrou, teve em casa só com os meus pais, e teve os mega Natais na casa da Cindy, super decorados e com muitos presentes (e foi onde eu aprendi a comer cereja de verdade!). Esse ano, o Natal vai ser diferente de novo, com a família do namorado, e ele fez boa propaganda. Acho que meus próximos Natais serão sempre lá, até que chegue...

O Fantasma do Natal Futuro: porque um dia, eu vou ter minha casa, e ela vai ser muito decorada, e vai ter luzinhas e musiquinhas ligadas em todas as noites de dezembro (inclusive a música da Simone), e eu vou dar uma festona na noite de Natal, cheia de crianças e de presentes. E o Fê vai ter que se vestir de Papai Noel enquanto os nossos filhos acreditarem nele. E vai ter uma meinha pendurada com o nome de cada um. E muitos Papais Noéis de chocolate, que serão proibidos só de mentirinha, pras crianças ficarem com mais vontade de pegar. E os presentes, os cartões, os papéis coloridos, as musiquinhas, a neve, as árvores enfeitadas, as luzinhas, as comidas e o clima de paz que paira no ar...

21 de dezembro de 2009

Um dia que tem que ser especial

Postado por Amanda Mirasierras na segunda-feira, dezembro 21, 2009 5 comentários
Sabe aquela euforia saltitante que ocorre uns dias antes do Natal? Aquela alegria que dá quando se ouvem as músicas natalinas enquanto se está com os amigos tomando sorvete? A felicidade que se sente enquanto se monta a árvore e se coloca a guirlanda na porta? Aquilo que chamam de espírito natalino? Pois é, eu não sei mais.

Não que eu deteste o Natal ou algo do tipo. Eu apenas não sinto nada especial. Preferia sim que não houvesse tantas comemorações; preferia não gastar tanto dinheiro em presentes, pedir pizza ao invés de comer peru/pernil/chester e ficar na minha casa assistindo algum filme. Mas encaro as comemorações sem grandes traumas.

O Natal me deixa numa anestesia meio triste. Acho triste, afinal. Não sei o porquê. Deve ser porque é tudo tão colorido, bonito e feliz, parece que é uma obrigação ficar feliz também. Parece uma época de tapar o sol com a peneira, sei lá. Não acho muito alegre, na verdade.

O bom do Natal é que muita coisa é perdoável. Você abraça pessoas que não estiveram com você quando foi necessário e as desculpa pela ausência. Você enterra as diferenças através de papéis coloridos e sorri com sinceridade. Você se atrasa, sai mais cedo do trabalho, não tem hora para nada e está tudo certo. Porque é Natal e o mundo fica feliz.

Depois você lava a louça, recolhe os papéis rasgados, distribui as rabanadas e volta para casa de barriga cheia e coração leve. Tudo volta ao normal e a vida ressurge em sua realidade mais sem graça. Ficam as lembranças: dos filmes natalinos, dos amigos-secretos de colégio, quando se ganhava a agenda-diário do ano seguinte, da boneca esperada por tantos meses, do cheiro de assado invadindo a casa.

Enfim, é Natal. Então, feliz Natal para vocês!

It's coming on Christmas,
And they're cutting down trees
Putting up reindeer
And singing songs of joy and peace,
Oh, I wish I had a river I could skate away on

River - Joni Mitchel
 

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