31 de julho de 2009

As minhas escritoras preferidas

Postado por Ci na sexta-feira, julho 31, 2009 4 comentários
Peço licença às botas, às bolsas e à TPM.

Gostaria de aproveitar o gancho do assunto aberto pela Norma e falar pra vocês hoje sobre as minhas escritoras preferidas.

Uma delas li pela primeira vez há mais ou menos cinco anos. Tenho que confessar que a maneira como descreveu sua vida, sua ira, seus jeitos me impressionaram e me intimidaram. Hoje, quando eu leio, vejo além. A descrição dos detalhes é com perfeição e a arte de colocar em palavras aquilo que você sente, mas que jamais pensou que fosse possível descrever é um dom. Ela não é formada em Letras, mas talvez porque não fosse necessário. E quando você enxerga os olhos, as palavras escritas por ela de repente se parecem janelas, você vê e você sente.

Minha outra escritora preferida eu leio há oito anos. Ela escreve uma poesia sem rimas, com uma musicalidade gostosa de um jeito livre, solto e puro. Daqueles que você lê várias vezes, não entende nada, mas adora o todo. Daqueles que dependendo do seu humor quando lê, interpreta de uma maneira diferente. E apesar das Letras, se as palavras faltarem, espere um desenho. Ela escreve de maneira básica, concisa e direta. Eu já falei da música? Você ainda sim ouve a música... Você vê a parte e a parte muda, mas o todo é sempre igual.

Eu descreveria milhões de diferenças entre elas, entre nós. Descreveria outros tantos milhões de semelhanças e qualidades.Eu não sei dizer o que nos une, mas sei que eu não me canso de ler essas histórias, independente do jeito que elas são contadas. Eu dou risada junto, choro, me divirto, me vejo, compreendo, critico, aprendo, ensino, assisto, me emociono.

Se os contos dessas duas aí caírem sem querer em suas mãos, agarre e leia. Vale a pena, eu garanto.

30 de julho de 2009

Escritoras brasileiras do passado e desconhecidas

Postado por Convidados na quinta-feira, julho 30, 2009 7 comentários
Toda a história das mulheres foi escrita pelos homens.
(Simone de Beauvoir – O segundo sexo)



Amandinha Mirasierras, que nome poético, não? Very thankx pelo convite para participar deste blog batizado com nome tão passional. Será que nós, mulheres, somos mesmo assim, umas desvairadas, que gastam uma nota na maquiagem pra borrar depois tudo com choro? É caso de se pensar.

Bem, de uma coisa eu sei-o... nós sempre soubemos colocar a mão na massa, mesmo em condições adversas. E nada de pensamentos poluídos quando utilizo o substantivo “massa”, meninas. O que quero afirmar é que já tivemos belos exemplos femininos no passado, ainda que estes não tenham chegado até nós, ou ainda que não sejam muito divulgados.

Permitam-me que eu me apresente: carioca, escritora, poeta e professora universitária. Foi na vida acadêmica, ainda na Graduação da Faculdade de Letras, que concluí na Universidade Estadual do Rio de Janeiro, quando estava no terceiro período, que comecei a pesquisar o assunto que aqui trago à tona, em um pedacinho: escritoras brasileiras do passado e desconhecidas. Esta pesquisa entrou pelo Mestrado, culminando na dissertação sobre Patrícia Galvão, a nossa Pagu. No Doutorado deixei o assunto mulherio meio de lado e caí de boca na Mama África, mas enquanto professora da Faculdade de Letras, responsável pela disciplina Literatura Contemporânea, continuei a divulgar estas pesquisas que me empolgaram desde sempre.

A produção feminina no século XIX
Como precisarei ser concisa, vou pontuar alguns nomes e trajetórias que a crítica literária tem deixado, até hoje, de lado, mesmo nos conteúdos estudados nas Faculdades de Letras, área em que trabalho: a primeira mulher a escrever um livro no Brasil foi a paulista Teresa Margarida da Silva e Orta, com Aventuras de Diófanes, em 1752. E pensar que somente em 1930, quase cem anos depois, haveria o voto feminino nas eleições!

A carioca Nísia Floresta, em 1847, nos trouxe o seu Fany ou o modelo das donzelas. Vale a pena observar que os contextos em que as duas obras foram publicadas são diferentes, pois que enquanto o livro de Teresa evoca as virtudes das “boas meninas”, o de Nísia, uma mulher ousada pra época, que se separou e casou com um homem bem mais jovem (uma espécie de priminha da Chiquinha Gonzaga), apontava os rumos de uma produção atrelada à participação ativa das mulheres brasileiras, que tentavam obter os mesmos direitos já alcançados pelas inglesas. Em 1885, a baiana Ana Ribeiro lança um romance sobre a escravidão, em pleno romantismo. O título? O anjo do perdão, mas permanece desconhecido, atribuindo-se ao tema escravidão, daquela época, somente ter sido abordado em termos literários, na poesia, por Castro Alves.

Em 1887, a também carioca Júlia Lopes de Almeida estreou nas letras com seu romance Traços e iluminuras, e teria sido a primeira mulher a entrar para a Academia Brasileira de Letras, se na hora H seu nome fosse preterido ao de seu marido, que nem obra literária expressiva tinha... Dez anos depois, em 1897, Carmen Dolores publica um livro de contos, Gradações. Júlia e Carmen são as únicas que costumam aparecer em algumas antologias, ao lado das consagradas Cecília Meireles, Rachel de Queiroz e Clarice Lispector – para citar autoras da primeira metade do século, embora a primeira autora, Teresa Margarida, tenha surgido no século XVIII e isso não seja divulgado.

Consegui ler quase todas essas obras e uma das que muito me impressionou foi Lésbia, de 1890, da gaúcha Maria Benedita de Bormann, no qual ela evidencia muitos dos preconceitos sofridos pelas mulheres da época. Apesar do radical da palavra remeter ao termo lesbianismo, não se trata de tematizar o homossexualismo feminino e sim ter como motivo a ilha grega de Lesbos, na qual vivia a poeta Safo, cujo nome derivou em safada(o). É mesmo difícil ser independente e do sexo frágil...

Interessante também é Mameluco, da baiana Amélia Rodrigues, publicado em 1888, em pleno ano da abolição da escravatura no Brasil, visto que aborda a temática étnica de valorização da miscigenação, assunto considerado perigoso para o modelo eurocêntrico que moldava as mentes tropicais.

E um pouco da produzida no século XX
Em 1902, a cearense Francisca Clotilde abre o século com o ousado A divorciada. Basta saber que o divórcio só foi legalizado no Brasil em 1977! Parece que a mulherada ficou animada com o advento da República, quem sabe? A carioca Albertina Bertha lança o primeiro romance erótico que se tem notícia escrito por uma mulher brasileira, Violeta, em 1926. Na mesma esteira, veio a paulista Ercília Nogueira Cobra, com o contundente Virgindade inútil, novela de uma revoltada, que saiu em 1927.

Essas obras são significativas de um novo momento, em que aspectos morais e sexuais são trazidos para a discussão, numa sociedade que, embora republicana, ainda conservava as marcas patriarcais.

Como o espaço é pequeno, deixo uma sugestão de leitura para quem quiser pesquisar mais sobre o assunto. O maravilhoso, Dicionário crítico de escritoras brasileiras de Nelly Novaes Coelho, da editora Escrituras, publicado em 2002, em cujas quase 800 páginas, vocês encontraram essas e outras escritoras, que mesmo depois de tanto esforço, continuam no ostracismo.

Norma Lima, Doutora em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense devidamente apresentada, nos brinda hoje com seus conhecimentos acadêmicos femininos e traz um pouco de cultura às nossas vidinhas vulgares

29 de julho de 2009

O Gordo e o Magro

Postado por Tata na quarta-feira, julho 29, 2009 4 comentários
Muito já se discutiu sobre se os homens preferem as cheinhas ou as magrinhas. Eu já ouvi dizer que as mais "recheadas" possuem melhor desempenho sexual, mas nunca vi um ator ou cantor famoso que não desfilasse do lado de uma mulher magrinha.

A genética não me favoreceu duplamente, nem na estrutura do corpo e nem no meu psicológico obeso/fast-food, e eu sempre pertenci ao mundo dos semi-gordos. Mas eu aprendi a conviver com meus pneuzinhos e acho que é uma questão de escolha: eu podia ser magra, mas eu não quero ser magra. Eu quero comer batata frita, não alface!

A Veja, tendenciosa como sempre, saiu com uma edição especial sobre a "Geração Saúde". Puta geração chata! Aí publicou a pesquisa abaixo (nada extremista) dos macaquinhos. Ela compara o que seria equivalente aos humanos de "só salada" ou "só fritura", sem considerar nenhum tipo de meio termo.

Tudo bem que além da estética há a questão da saúde, qualidade de vida e blablablá, mas o que adianta eu me controlar tanto, comer só coisa ruim saudável, fazer exercício e tudo mais e daqui, sei lá, um ano morrer por uma causa totalmente aleatória? Eu vou ter perdido um ano inteiro de prazeres!

Eu prefiro ser o macaquinho obeso a ter que comer grão de soja, salada de tofu e salsicha vegetariana!

27 de julho de 2009

Coisa de homem?

Postado por Amanda Mirasierras na segunda-feira, julho 27, 2009 4 comentários
Eu acho que a sementinha do feminismo estava plantada em mim desde pequena, quando uma vez eu disse ao professor de História que só usaria o sobrenome do meu marido, um dia talvez, se ele também adotasse o meu.

De lá para cá eu pude perceber que o machismo está tão presente em nosso cotidiano que nem nos damos mais conta. Mas como eu não tenho a menor vocação para salvadora da pátria e sou a mais animada adepta do "faça a sua parte", ao longo do tempo fui moldando a minha vida de forma que pudesse tranquilamente fazer as "coisas de homem".

Eu sou frequentadora assídua de baladas rock e o motivo é bastante óbvio - eu gosto das músicas. Não saio de casa para execer o meu poder de sedução ou para competir com as demais garotas pelo decote mais generoso. Eu vou e curto o som. E canto, e danço, e me divirto até ficar cansada, e volto para casa.

Não tenho vergonha de vestir a camisa do meu time e ver futebol no domingo à tarde. Graças ao meu irmão, conheço todos os comentaristas de todos os programas esportivos e sei quais deles valem a pena ser escutados. E graças ao meu pai eu me tornei leitora da AutoEsporte. Claro que às vezes eu termino de ler a avaliação dos automóveis e penso "é realmente bom, mas eu não compraria porque é muito feinho", mas pelo menos eu sei de quantos km/L estou falando.

E acho que os homens menos tradicionalistas poderiam se surpreender bastante com mulheres como eu. Porque obviamente eu gosto de bons restaurantes, por exemplo, mas eu fico bem satisfeita em sair só para tomar cerveja e jogar conversa fora.

Em parte eu devo agradecer aos meus pais por ter tido a oportunidade de fazer o que eu quisesse sem pensar se era "coisa de mulher". Muitas vezes eu os escuto tecendo comentários involuntariamente machistas, mas como acho que eles até fizeram um bom trabalho comigo, eu deixo passar em branco.

Se um dia eu for mãe, não fará diferença se minha filha quiser ser jogadora de futebol ou se meu filho decidir dançar balé. Espero que eles sejam realizados e felizes pelo que realmente são, da mesma forma que acontece comigo.

24 de julho de 2009

Eu me rendi

Postado por Ci na sexta-feira, julho 24, 2009 5 comentários
Não sou tão chegada a uma modinha, mas às vezes a modinha não tem jeito.

Por exemplo, que mulher nao fica linda de bota até as canelas nesse frio? Tá, nem todas, mas esse inverno tá muito cara de bota. De friozão, casacão, bota e fumacinha de frio saindo da boca. Então, depois de olhar muitos e muito pés, eu decidi que precisava de uma.

Eu não sou uma pessoa consumista e não gosto de gastar dinheiro. Me arrependo logo depois que compro. Mas as pessoas tentaram me convencer de que seria um dinheiro bem gasto, duraria uns 5 anos e me faria uma pessoa mais feliz.

Então, depois de procurar muito, eu comprei. Me apaixonei por uma na Prego (porque pra eu gastar assim, tem que ser paixão mesmo), passei em frente a loja umas 18 vezes, esperei pra ver se abaixava o preço, mas quando eu vi que não tinha jeito, comprei.

Me arrependi, claro. Mas nesses dias de 12ºC com muita chuva, eu vejo que além de ficar linda, fiz um ótimo negócio de inverno (que segundo as linguas alheias, me protegerá por 05 anos)!
 

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