Eis aqui o meu alerta: não compre calça Levi's.
"Claro que não vou comprar", poderão dizer vocês, "por que eu compraria calça lá se posso encontrar outras bonitas por um preço muito melhor?". Concordo em partes, pessoas. Sei que existem milhares de calças BBBs, mas não é tão fácil encontrar jeans para mim. Eu estreei há poucos meses na casa dos 50 quilos, e tudo o que eu engordo vai parar automaticamente no meu quadril. Não tenho perna muito grossa nem bunda grande, mas tenho quadril. Então não é tão simples achar uma calça bonita e confortável que se acerte no quadril sem ficar larga na cintura ou com aquelas sobras na dobrinha do bumbum - vulgo "tô cagada".
Então um dia eu me rendi a maravilhosa numeração personalizada da Levi's. Além de ter calças certinhas para os mais diversos biotipos, as roupas duram um tempão. Ok, é cheio de prós. Mas eu repito: não compre lá. É como vender a alma ao demônio.
Eles fazem o seu cadastro e mandam mil e-mails. É, você sabe quando chegam as novas coleções e quando é época de liquidação. Eles avisam em letras garrafais que qualquer modelo está com 50% de desconto. E que você acumula pontos de desconto nas próximas compras!
Eles também dão um cartão maldito que é preenchido conforme você vai comprando calças. A cada dez calças compradas em um ano, você ganha uma de presente. EPA! Dez calças em um ano?! Que brincadeira é essa? Ninguém precisa de dez jeans por ano, convenhamos! Mas aquele cartão azul fica piscando na minha gaveta, e cada vez que alguém me diz que precisa comprar jeans, meus olhos brilham e eu pergunto: "você não quer comprar na Levi's?".
Não, mas isso não é tudo... Eles ainda ligam no seu aniversário! É sério, a Levi's me ligou no dia 07 de abril para desejar felicidades e dizer que eu tinha direito a um desconto especial naquela semana! Diz aí se não é coisa do inferno!
Confesso que minha calça mais bonita é de lá, e que lá também estão muitas calças bonitas que não possuo. Mas vou pensar duas vezes antes de comprar Levi's outra vez. Tenho certeza que eles estão me vigiando nesse momento...
31 de agosto de 2009
28 de agosto de 2009
Cooperação Feminina
Programas geralmente utilizados: quase sempre é um link no Orkut, mas vale também foto em site de balada, fotolog, blog da barangona e etc.
Material necessário: 01 amiga é suficiente, mas quanto mais melhor.
Comunicação: MSN é muito útil. Telefone é bom, mas só se ambas estiverem no computador ao mesmo tempo. O melhor mesmo é pessoalmente.
Tempo: geralmente leva de 05 a 10 minutos. Quanto menos, mais intenso!
Não tem nada mais irritante do que você mostrar a ex-namorada do seu namorado ou a atual namorada do seu ex namorado pra uma amiga e ela falar "Nossa, como ela é linda". Ou, "ah, pára de exagerar, ela não é tão feia assim".
A gente não fala por mal e a intenção no fundo não é criticar ninguém. A gente tem que falar assim "Nossa, você é beeeem mais bonita", ou "nossa, quantos dentes ela tem?!". É só cooperação feminina. Quantas vezes eu não mandei um link do orkut pras meninas e elas falaram "que horror!", só pra gente se ajudar! Deep inside, nosso coração é bom!
Então é assim, você mostra a foto e a(s) amiga(s) por cooperação feminina diz: "aff, como ele tem coragem??". Ah! Tem que ser amiga de verdade, tá? Falsidade não vale!
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Girl stuff
27 de agosto de 2009
Sobre a 'menstruation'
Bem, esse assunto é fatalmente presente na vida das mulheres e também dos homens, afinal, a gente sofre pra burro, mas na real, nem a gente se agüenta, e os homens então? Porém, não estou aqui hoje para falar sobre mulheres X homens, mas sim mulheres X ... mulheres. E tem cada uma.
Pra começar, eu queria dizer que já ter TPM, ficar menstruada, chata e com cólica não é nada fácil. Pior lá na escola em que trabalho, tendo que fingir que eu não estava tão ácida e tentando agüentar as contrações psicodélicas para não assustar as crianças, num momento de desespero tive que correr pro banheiro e entrar no primeiro que pude. Porém, lá estava algo que realmente me tira do sério, e acaba com meu dia (e com certeza deixaria mal qualquer pessoa). Lá estava no lixo. O que? Ah claro, papel, vermelho. Mas... será que a imbecil da mulher (ou mesmo adolescente, eu sei lá?) não tem o mínimo de senso de dobrar, embrulhar, ou sei lá, a droga do papel que ela usou? Poxa, nem eu (nem ninguém!!) é obrigada a ver coisas íntimas de outra pessoa, ainda mais na situação hormonal exposta. Isso me deixou furiosa, porque primeiro eu pensei: “porra, estamos em uma escola e será possível que a mesma professora que educa não é capaz de educar a si mesma?”. Ou então, alguma aluna da escola mesmo: “porra, será que ninguém mais ensina a estas garotas que não se deve ter nojo de si mesmas?", já que algo totalmente natural. Daí eu me lembrei de outra história.
Uma amiga minha me contou que uma fulana conhecida lá da praia até os 18 anos não trocava o próprio absorvente. Quem trocava era a própria mãe dela. Manja? Como se fosse uma fralda. AFE, se liga né, meu bem? E além de tudo eu me lembro bem, ela gostava de se mostrar e ficava se achando pacas com um namorado babaca, e a guria nem sabia se limpar! Bem, eu fiquei imaginando ela ligando pra mãe e o namorado do lado dela. “Mãeee, to aqui com o fulano, vem me limpar?” Puff, é cada uma. E o pior é que a história é verídica, e a garota só aprendeu a se limpar quando a mãe não foi pra praia com ela. Brochante, não? Mas é a verdade. Está aí uma grande geração de meninas que estão mais taradas que os meninos e não conhecem o próprio corpo, e além de tudo tem nojo dele. Como pode?
Uma vez na minha aula de pedagogia estávamos discutindo sobre a mulher, suas lutas diárias e etc, a professora disse que existe uma certa tribo indígena que, quando as mulheres ficam menstruadas, são deixadas em ocas “especiais”, onde elas somente descansam e seu sangue é compartilhado com a terra, a própria natureza, onde entra em comunhão. Elas têm todos os cuidados especiais das outras mulheres das tribos, e quando termina o ciclo, quando for a vez das próximas, essas que descansaram cuidam das que por sua vez estão nas condições da menstruação. Maravilhoso, não? Imagine só a gente poder descansar neste período? Mas não, estamos na época de “mulheres-maravilha” onde a gente trabalha, estuda, tem que ficar gata, gostosa e boazinha com namorado e afins, cuida de irmão, de filho, de marido, de cachorro, tem que estar depilada, com as unahs feitas, com a última bota da estação, dá conta de uma porção de problemas, aguenta os problemas e queixas dos outros, e a gente não pode nem explodir, mesmo fora de época, senão já nos apontam o dedo e dizem: é Tensão-Para-Matar! Além de tudo não há mais espaço para se sentir triste, cansada, acabada, carente, melancólica etc etc etc... afinal, a culpa foi nossa, não é? Quem mandou queimar os sutiãs? Sim, somos mulheres, sofremos, sangramos, mas ainda assim estamos por cima. Porém, devemos ter nosso espaço para sermos educadas e para merecer o devido respeito das pessoas, especialmente de nós mesmas. À luta, sempre!
Agradeço a oportunidade de poder expressar um pouco de minhas idéias com garotas tão especiais que com certeza entendem essas situações! E tantas outras! PEACE AND LOVE. Beijos!
Camila Pontes é pedagoga e pretende ensinar sobre o corpo, o mundo e o respeito (and peace and love) aos seus pequenos aluninhos.
Pra começar, eu queria dizer que já ter TPM, ficar menstruada, chata e com cólica não é nada fácil. Pior lá na escola em que trabalho, tendo que fingir que eu não estava tão ácida e tentando agüentar as contrações psicodélicas para não assustar as crianças, num momento de desespero tive que correr pro banheiro e entrar no primeiro que pude. Porém, lá estava algo que realmente me tira do sério, e acaba com meu dia (e com certeza deixaria mal qualquer pessoa). Lá estava no lixo. O que? Ah claro, papel, vermelho. Mas... será que a imbecil da mulher (ou mesmo adolescente, eu sei lá?) não tem o mínimo de senso de dobrar, embrulhar, ou sei lá, a droga do papel que ela usou? Poxa, nem eu (nem ninguém!!) é obrigada a ver coisas íntimas de outra pessoa, ainda mais na situação hormonal exposta. Isso me deixou furiosa, porque primeiro eu pensei: “porra, estamos em uma escola e será possível que a mesma professora que educa não é capaz de educar a si mesma?”. Ou então, alguma aluna da escola mesmo: “porra, será que ninguém mais ensina a estas garotas que não se deve ter nojo de si mesmas?", já que algo totalmente natural. Daí eu me lembrei de outra história.
Uma amiga minha me contou que uma fulana conhecida lá da praia até os 18 anos não trocava o próprio absorvente. Quem trocava era a própria mãe dela. Manja? Como se fosse uma fralda. AFE, se liga né, meu bem? E além de tudo eu me lembro bem, ela gostava de se mostrar e ficava se achando pacas com um namorado babaca, e a guria nem sabia se limpar! Bem, eu fiquei imaginando ela ligando pra mãe e o namorado do lado dela. “Mãeee, to aqui com o fulano, vem me limpar?” Puff, é cada uma. E o pior é que a história é verídica, e a garota só aprendeu a se limpar quando a mãe não foi pra praia com ela. Brochante, não? Mas é a verdade. Está aí uma grande geração de meninas que estão mais taradas que os meninos e não conhecem o próprio corpo, e além de tudo tem nojo dele. Como pode?
Uma vez na minha aula de pedagogia estávamos discutindo sobre a mulher, suas lutas diárias e etc, a professora disse que existe uma certa tribo indígena que, quando as mulheres ficam menstruadas, são deixadas em ocas “especiais”, onde elas somente descansam e seu sangue é compartilhado com a terra, a própria natureza, onde entra em comunhão. Elas têm todos os cuidados especiais das outras mulheres das tribos, e quando termina o ciclo, quando for a vez das próximas, essas que descansaram cuidam das que por sua vez estão nas condições da menstruação. Maravilhoso, não? Imagine só a gente poder descansar neste período? Mas não, estamos na época de “mulheres-maravilha” onde a gente trabalha, estuda, tem que ficar gata, gostosa e boazinha com namorado e afins, cuida de irmão, de filho, de marido, de cachorro, tem que estar depilada, com as unahs feitas, com a última bota da estação, dá conta de uma porção de problemas, aguenta os problemas e queixas dos outros, e a gente não pode nem explodir, mesmo fora de época, senão já nos apontam o dedo e dizem: é Tensão-Para-Matar! Além de tudo não há mais espaço para se sentir triste, cansada, acabada, carente, melancólica etc etc etc... afinal, a culpa foi nossa, não é? Quem mandou queimar os sutiãs? Sim, somos mulheres, sofremos, sangramos, mas ainda assim estamos por cima. Porém, devemos ter nosso espaço para sermos educadas e para merecer o devido respeito das pessoas, especialmente de nós mesmas. À luta, sempre!
Agradeço a oportunidade de poder expressar um pouco de minhas idéias com garotas tão especiais que com certeza entendem essas situações! E tantas outras! PEACE AND LOVE. Beijos!
Camila Pontes é pedagoga e pretende ensinar sobre o corpo, o mundo e o respeito (and peace and love) aos seus pequenos aluninhos.
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Especial
26 de agosto de 2009
Escolha Tênis
O seu namorado adora esportes? Sempre quer ver aquele futebolzinho de domingo? Eu sei, jogos de futebol podem ser bem legais, mas temos que concordar que a qualidade dos jogadores não é das melhores. Que tal propor uma alternativa? Assistam tênis! Quando você pensa em tênis, deve logo pensar no Federer, que tem sido destaque na mídia esse tempo todo e é o número 1 do mundo. Mas se você se focar um pouco mais abaixo na tabela, vai encontrar um tenista muito mais interessante. Em quarto lugar está Novak Đoković, o Nole, sérvio, 22 anos, joga tênis desde os 4 e é bastante interessante, não por sua história, da qual eu não sei nada, mas observem as fotos a seguir:



Ok, peito peludo demais pro meu gosto e ele tem o nariz um pouco grande. Mas vocês sabem o que dizem sobre homens de nariz grande...
PS: Amor, você é muito mais gato que ele!!!
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Girl stuff,
Tarefas árduas femininas
24 de agosto de 2009
Momento mulherzinha
O meu momento mulherzinha não tem a ver com tratamentos de beleza, tendências de moda ou problemas de relacionamento. Hoje, o meu momento mulherzinha é sobre a minha vida inteira.
Eu acho fantástico que as mulheres estejam ocupando cada vez mais gerências e diretorias de grandes empresas. Tenho o maior orgulho de fazer parte de um gênero que deu a cara a tapa, se desdobrou em mil e conseguiu galgar patamares supostamente inatingíveis. Mas venho hoje admitir publicamente que não, eu não tenho ambição de ir tão longe.
Veja, é uma posição exclusivamente minha. Não é um conselho, uma crítica ou uma indicação de auto-ajuda, mas eu não sinto necessidade alguma de um dia ocupar um cargo alto. Como já disse o sábio avô do Peter Parker, grandes poderes exigem grandes responsabilidades. E aí eu decidi que não quero nada de grandes poderes.
Ser grandioso dá muito trabalho. Você se envolve com milhares de coisas ao mesmo tempo, é responsável por setores e pessoas, é obrigado a dedicar muito mais tempo além do comercial para o trabalho, tem que escutar um monte de abobrinhas e vive nervoso por problemas que, convenhamos, nem são realmente seus. Essa loucura worhaholic não me agrada mais.
Há algum tempo eu pensava nisso sim. Achava que para ser bem sucedida eu deveria subir cada vez mais e ter um salário cada vez maior. Um salário que pudesse me oferecer uma casa linda, um carro muito confortável, passeios para os lugares que eu escolhesse e viagens todo ano. Sim, tudo isso ainda me soa extremamente interessante. Mas quer saber? Eu não quero tanto.
Nessa minha ainda curta vida profissional, eu tenho convivido com os mais diversos exemplares de profissionais. E cada vez mais eles se parecem menos com pessoas. Pode reparar: se você perguntar a alguém "o que você é?", a resposta imediata será referente a profissão. Eu sou jornalista, engenheira, bancário, secretária, professor. Ah, é? Pois eu sou a Amanda e pretendo continuar sendo.
Minha defesa não é pela casa arrumada ou pelos filhos contentes que uma carreira menos extenuante pode oferecer. É pela vida. É pelo prazer de ter tempo para ser o que se quer realmente ser: leitora, escritora, namorada, espectadora, filha, visitante, estudante, cozinheira, turista, aprendiz, artesã, amiga, pintora. É pela minha grande necessidade de sentir que estou levando uma vida feliz, e não carregando um punhado de obrigações.
Eu estou cansada de contar os dias para o final de semana. São cinco dias de obrigações, irritações e metrô lotado, e dois dias para viver de verdade. Se eu não nasci bióloga, por que aquele papel de letras douradas me obriga a esquecer quem sou?
A minha defesa é pelo desapego. Pelo "ter menos para ser mais". Porque eu sei que sou mais feliz com meus livros e DVDs do que com uma roupa nova. Porque eu descobri que um Celta pode me levar aos mesmos lugares que um Stilo. Porque o prazer que eu sinto ao jantar num restaurante bacana é o mesmo de dividir uma pizza com os meus amigos. E eu confesso que prefiro trabalhar menos, ganhar menos e viver mais do que trabalhar o dia inteiro, ganhar um super salário e nunca encontrar oportunidade de usufruir daquilo que o dinheiro tem a me oferecer (e eu sei bem que o dinheiro tem muitas coisas boas para me oferecer).
Eu bato o carimbo com a certeza de que, se eu realmente quisesse, poderia ter um excelente emprego e um salário muito mais confortável. Mas eu acho que não teria mais tempo de manter três blogs atualizados, ou de sair para bater papo com as minhas amigas numa quarta-feira, ou de tirar um cochilo sem culpa após o expediente. E eu acho que, se assim fosse, eu seria a bióloga rica mais infeliz do mundo.
"Eu gosto. Eu uso. E eu tenho um pouco, que guardo num pote sobre a geladeira." Robbie (Adam Sandler) em Afinado no Amor, sobre o dinheiro
Eu acho fantástico que as mulheres estejam ocupando cada vez mais gerências e diretorias de grandes empresas. Tenho o maior orgulho de fazer parte de um gênero que deu a cara a tapa, se desdobrou em mil e conseguiu galgar patamares supostamente inatingíveis. Mas venho hoje admitir publicamente que não, eu não tenho ambição de ir tão longe.
Veja, é uma posição exclusivamente minha. Não é um conselho, uma crítica ou uma indicação de auto-ajuda, mas eu não sinto necessidade alguma de um dia ocupar um cargo alto. Como já disse o sábio avô do Peter Parker, grandes poderes exigem grandes responsabilidades. E aí eu decidi que não quero nada de grandes poderes.
Ser grandioso dá muito trabalho. Você se envolve com milhares de coisas ao mesmo tempo, é responsável por setores e pessoas, é obrigado a dedicar muito mais tempo além do comercial para o trabalho, tem que escutar um monte de abobrinhas e vive nervoso por problemas que, convenhamos, nem são realmente seus. Essa loucura worhaholic não me agrada mais.
Há algum tempo eu pensava nisso sim. Achava que para ser bem sucedida eu deveria subir cada vez mais e ter um salário cada vez maior. Um salário que pudesse me oferecer uma casa linda, um carro muito confortável, passeios para os lugares que eu escolhesse e viagens todo ano. Sim, tudo isso ainda me soa extremamente interessante. Mas quer saber? Eu não quero tanto.
Nessa minha ainda curta vida profissional, eu tenho convivido com os mais diversos exemplares de profissionais. E cada vez mais eles se parecem menos com pessoas. Pode reparar: se você perguntar a alguém "o que você é?", a resposta imediata será referente a profissão. Eu sou jornalista, engenheira, bancário, secretária, professor. Ah, é? Pois eu sou a Amanda e pretendo continuar sendo.
Minha defesa não é pela casa arrumada ou pelos filhos contentes que uma carreira menos extenuante pode oferecer. É pela vida. É pelo prazer de ter tempo para ser o que se quer realmente ser: leitora, escritora, namorada, espectadora, filha, visitante, estudante, cozinheira, turista, aprendiz, artesã, amiga, pintora. É pela minha grande necessidade de sentir que estou levando uma vida feliz, e não carregando um punhado de obrigações.
Eu estou cansada de contar os dias para o final de semana. São cinco dias de obrigações, irritações e metrô lotado, e dois dias para viver de verdade. Se eu não nasci bióloga, por que aquele papel de letras douradas me obriga a esquecer quem sou?
A minha defesa é pelo desapego. Pelo "ter menos para ser mais". Porque eu sei que sou mais feliz com meus livros e DVDs do que com uma roupa nova. Porque eu descobri que um Celta pode me levar aos mesmos lugares que um Stilo. Porque o prazer que eu sinto ao jantar num restaurante bacana é o mesmo de dividir uma pizza com os meus amigos. E eu confesso que prefiro trabalhar menos, ganhar menos e viver mais do que trabalhar o dia inteiro, ganhar um super salário e nunca encontrar oportunidade de usufruir daquilo que o dinheiro tem a me oferecer (e eu sei bem que o dinheiro tem muitas coisas boas para me oferecer).
Eu bato o carimbo com a certeza de que, se eu realmente quisesse, poderia ter um excelente emprego e um salário muito mais confortável. Mas eu acho que não teria mais tempo de manter três blogs atualizados, ou de sair para bater papo com as minhas amigas numa quarta-feira, ou de tirar um cochilo sem culpa após o expediente. E eu acho que, se assim fosse, eu seria a bióloga rica mais infeliz do mundo.
"Eu gosto. Eu uso. E eu tenho um pouco, que guardo num pote sobre a geladeira." Robbie (Adam Sandler) em Afinado no Amor, sobre o dinheiro
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